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A harmonia rítmico-Espacial

de Isabelle Sabrié

A floresta amazônica, um extraordinário equilíbrio em 3D onde todos conseguem se fazer ouvir no mesmo momento

Eu me maravilhei ao descobrir os sons da floresta durante minha viagem para 3 recitais na Guiana Francesa em dezembro de 2006. A incrível organização sonora que torna possível distinguir quase cada som no meio de centenas de outros, foi para mim um mistério musical cujos princípios se tornaram urgentes de descobrir. Em dezembro de 2007 me instalei em Manaus, megalópole de 2 milhões de habitantes no coração da Amazônia brasileira.

Após uma longa imersão no universo sonoro amazônico e inúmeras observações sobre a sincronização dos sons dos seres vivos nas 3 dimensões do espaço – várias delas têm desde então obtido confirmações científicas internacionais – tenho gradualmente concebido a harmonia rítmico-espacial, que tem sido a arquitectura das minhas composições musicaiscriações desde 2010.

A harmonia rítmico-espacial é uma linguagem musical que liga o tempo e o espaço, baseada nas regras da proxemia física e temporal natural observada na floresta amazônica.

São estabelecidas distâncias precisas entre as fontes sonoras, localizadas em toda a sala em torno da audiência. Seguem uma organização espaço-temporal específica, de forma que o equilíbrio sonoro (a harmonia) possa se manter no espaço físico, desenvolvendo ritmos em 3D e sons que podem se mexer na sala toda – como observado na floresta Amazônica. Este conceito musical inspirado na Natureza funciona como um verdadeiro equilíbrio multipolar natural.

A harmonia rítmico-espacial permite a coexistência « harmoniosa » e perceptível de vários sistemas musicais muito diferentes, unidos numa pulsação comum e provenientes de lugares diferentes. Pode adicionar os movimentos do som no espaço, ao sistema harmônico clássico ou romântico, sem excluir a melodia ou as emoções, e não exclui nenhum sistema musical, nenhum tipo de som ou de linguagem. Tal como na música de Johann Sebastian Bach, os ‘contrapontos’, aqui polirítmicos e espaciais, são mais importantes do que os timbres. É uma solução para evitar os fatores de coesão nas polirritmias, descritos por Olivier Messiaen.

Constrói ritmos percussivos em 3D, populares e eruditos. Usa os camarotes dos teatros à l´italienne para dispôr pequenos grupos orquestrais ou corais, unindo assim tradição e modernidade. Floresce em salas modernas de vários palcos, em salas de som multicanal e cinemas Dolby.

A harmonia rítmico-espacial é uma expressão de nossas multi-vidas multilíngues simultâneas, internet/smartfone/computador/tv/rádio/jogos virtuais/vida real. É a linguagem artística de um novo equilíbrio em 3D para as artes, o pensamento e as tecnologias do século XXI. Edgar Morin é seu padrinho.